O sonho de todo vencedor é superar primeiro a si mesmo

 

andreia moreno - atleta

Sem contar a corrida dos espermatozóides conhecida por todos e que coloca cada um de nós nesta vida como vencedores, meu 1º desafio se deu logo na infância, o de ser percebida pela mãe de 11 filhos pelo menos como a filha número 10 e, nascendo mulher, conquistar o amor de um pai que dava preferência por filho homem.Foi assim que iniciei minha carreira aos 8 anos de idade já correndo, trabalhando e dançando em busca do meu espaço.

Aos 19, quando veio de novo um outro sonho, a faculdade de Educação Física, me lembro como se fosse hoje a certeza que tinha em trabalhar com o corpo, com o movimento, com a vida.O desafio foi convencer a família de que o curso não era só dançar e jogar bola como muitos na época pensavam, mas demonstrar que fazer o que se gosta, ouvir a voz do coração era o mais importante para o sucesso na profissão.

Ao ingressar na faculdade e estágios nas grandes academias, veio junto o interesse pelas competições de ginástica aeróbica e, mesmo sem tanta habilidade, resolvi experimentar. E assim foi: campeonatos aqui, campeonatos ali, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasil, exterior, enfim, não só conheci, como também trabalhei, treinei, competi em mais de 15 países representando e carregando a bandeira brasileira no peito.E não pensem vocês que isso tudo foi de um dia para o outro. Levou “suados” 8 anos. Conquistei o 5º lugar no brasileiro em 1991 quando competi pela primeira vez; no ano seguinte, o 4º lugar; no outro ano o 3º, no outro o 2º e, em 1996, a dois dias do 1º lugar no brasileiro de aeróbica que na minha cabeça estava garantido, surpresa: uma lesão no joelho quase colocou um ponto final em tudo.Foram 3 anos de luta, remédios, tratamentos, fisioterapias, terapias, e de novo “altas doses de superação” para resistir e voltar em 1999 para conquistar definitivamente o sonho que me impulsionou por todo esse tempo: o 1º lugar no campeonato brasileiro de fitness em Vitória-ES.

Persistir é: você não desistir, atéééé conseguir.

Com o peito cheio de medalhas e orgulho, veio o tempo da educadora, dos alunos, das coordenações em academias, do trabalho de gestão de pessoas, quando tive a oportunidade de treinar e formar mais de 10 mil professores em todo o Brasil.Tudo graças ao apoio e ajuda que recebi da equipe de técnicos, preparadores físicos, coreógrafos, patrocinadores, apoiadores, amigos e, principalmente, da família que sempre esteve por perto.
Posso dizer, aqui, que foi um sonho realizado, ou melhor, superado, pois havia feito e conquistado tudo o que qualquer educador físico poderia esperar da profissão e, por que não, da vida. Aliás, recebi muito mais, utilizando como ingredientes foco, determinação, disciplina, muitas lágrimas e privações, porque disso também são feitos os vencedores.

Da superação ao incorformismo- “quando o tudo, é nada”

Quando cheguei a este ponto da vida e da carreira, comecei a me questionar. Do ponto mais alto do pódio, olhei em volta e não vi nada na minha frente, a não ser o vazio, a escuridão, o futuro. Tudo o que eu queria, ali, já estava alcançado e, ao mesmo tempo, já tinha passado, como tudo, afinal, passa nessa vida. Tudo o que eu havia conquistado não era nada. Foi quando me perguntei: para que tanto esforço? Por que tanta superação? O que me trouxe até aqui? Daí o inconformismo, ao descobrir que o combustível que me trouxe até aqui foi o de provar a minha capacidade à família, a todos à minha volta e, por que não, à mim mesma

É, estava eu diante de outro desafio, de outro obstáculo. E o que é isso senão mais uma dádiva… tudo o que um vencedor deseja: uma nova oportunidade de superação, a superação de mim mesma, onde podia escolher continuar pelo caminho da dor, embora o cansaço fosse grande, ou conhecer o caminho do amor, da leveza, da sensibilidade, o de não provar mais nada a ninguém.

Em “Líder Coach/Qualitymark” , Rhandy Di Stéfano diz que “o objetivo real de competir não é destruir o concorrente, mas que você se torne melhor do que você era.Uma competição significa uma pessoa buscando ser o melhor que ela pode, na presença do outro.É o você de hoje melhorando a marca do você de ontem”.

Foi quando em, 2001, iniciei a fase do conhecimento e do auto conhecimento, através da pós- graduação, da formação em cursos de programação neurolinguística, psicologia comportamental, psicoterapia transpessoal, coaching, empreendedorismo, liderança pessoal e outros.

Mesmo depois de tudo isso, mais uma vez o inconformismo veio à tona. Com todo aquele conhecimento experimentado, não pude me contentar em acreditar que o ser humano fosse somente um corpo, como muitos educadores físicos enxergavam, que era somente alface, peito de frango, macarrão integral e muita malhação.

Me descobri dentro de um novo sonho – o sonho com o mundo da educação, do desenvolvimento das pessoas, da capacitação profissional, porque sempre acreditei que somente com pessoas melhores podemos construir um mundo melhor, em todos os sentidos. Um mundo com menos culto ao corpo e mais culto à cabeça, ou melhor, com o perfeito equilíbrio entre corpo e mente e, acima de tudo, com o equilíbrio das emoções. Aliás, apesar de, desde muito cedo, ter que encarar o mundo de frente, tipo “de homem para homem”, eu sempre soube, como mulher, que o equilíbrio das emoções é fundamental em qualquer circunstância, sobretudo na vida de quem não se conforma com pouco e, tanto quanto sonhar, deseja, principalmente, realizar os seus sonhos.
Nesse momento da vida eu já não queria “mais”, queria “o melhor”, queria fazer diferença na vida das pessoas.

Do inconformismo à reinvenção- o melhor só existe quando nós mesmos o inventamos.

Considerando que entre os valores principais da minha vida está a coragem de correr riscos e, ainda, que assumir riscos não deixa de ser uma competição que estabelecemos com nós mesmos, com os nossos conhecimentos, com os nossos limites, com as nossas ambições, nossos medos, desejos e necessidades, aceitei o desafio: fazer não apenas o que gosto, mas fazer o que realmente acredito como ser humano. Foi, então, que abri mão de uma série de coisas – bens materiais, projeção, holofotes, etc. – e “carimbei meu passaporte” para um novo caminho de vida: a espiritualidade, que nesses quase 10 anos de prática e de ensinamentos, tem me mostrado, sobretudo, que o trabalho não deve ser apenas um trabalho, mas uma verdadeira missão, um propósito de vida e que sempre haverá lugar para quem compete com os seus limites, com o ideal de fazer um mundo melhor através da valorização das pessoas.

Como você pode ver, tudo começou com a criança que superou as dificuldades de uma infância simples e humilde, que transformou-se numa atleta tantas vezes vitoriosa, que por sua vez transformou-se na educadora e que agora vive o desafio da reinvenção, essa que nos leva a fazer de cada novo dia um dia de novas descobertas, novos caminhos, novas conquistas e, claro, novos sonhos, vivendo a engrenagem plena da virtuosa roda da vida, baseada no equilíbrio de valores como a vida saudável, por exemplo, em seu sentido mais amplo e completo, aquele que passa pelo físico, pelo mental, pelo espiritual, pelo emocional, enfim, pelo interior de nós mesmos, para que o exercício de abrir novas portas a cada momento não pare nunca.

Experimente você também se perceber. Descubra-se em você mesmo. Supere a si mesmo. Veja como essa experiência é engrandecedora. Supere seus medos, seus limites, supere seus sonhos. Você vai ver que o espetáculo da vida vai explodir dentro de você, vai lhe trazer um novo caminho, um novo sentido, uma nova direção. A superação foi a marca da minha vida, mas poderá ser a sua também. Porque o primeiro desafio a ser vencido por alguém é a superação de si próprio.

Boa reflexão! Bom treino! Uma vida equilibrada é possível.

Andreia Moreno I Profissional do Bem Estar – 25 anos atuando com desenvolvimento de pessoas. Atende como educadora física, coach de vida, terapeuta e florista profissional. www.andreiamoreno.com.br
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