Artigo escrito e publicado na Revista Geração Saúde / Alimentação / Nov/06 - Editora Minuano)
Imagem Mental
Através da imaginação você pode mudar seus hábitos alimentares
Creio que não basta repetir o óbvio, aquilo que você já está cansado de saber, como por exemplo, da necessidade de evitar frituras, doces e gorduras trocando por saladas, verduras, preferir cozidos e assados, carnes brancas, ingerir fibras e cereais, comer a cada 3 horas... Enfim, tudo aquilo de que mais gostamos de comer “não pode” e aquilo que menos gostamos é o que pode, somente assim chegaremos aos resultados.
Se já sabemos de tudo isso por que não o fazemos?
O que de tão especial tem nessas “besteiras alimentares” que não conseguimos deixar de comê-las?
Como conviver com isso? Será que dá para ter um pouco de prazer e ao mesmo tempo se alimentar de maneira saudável?
Na realidade, comendo “essas besteiras” nosso organismo é despertado para muitas sensações e emoções que nos remetem ao passado... o carinho da Vovó, o agrado da mamãe, de uma vizinha ou de pessoas queridas que nos faziam bem, que nos cuidavam, que nos alegravam, que nos presenteavam. E hoje, na correria do dia a dia, nos afastamos cada vez mais de momentos como estes, de prazer e satisfação. Logo, o que nos resta é, muitas vezes, cair na tentação da gula.
O que mais escuto dos clientes pelas academias que passei e nas palestras que ministro é: “minha vida já é muito cheia de regras, de dificuldades, preciso ter prazer na vida, eu me exercito a semana inteira para me dar a oportunidade do simples momento de comer aquilo que tenho vontade sem me sentir culpado”.
Existem dois fatores que motivam o ser humano: a dor e o prazer.
Usando como exemplo o nosso trabalho, temos os dois fatores. Se ficarmos um mês sem trabalhar, já sentimos a dor da falta de dinheiro; se trabalharmos, sentimos o prazer de receber o dinheiro.
Rhandy Di Stefano, em O Manual do Sucesso Total, diz que a via oral ou paladar é um dos caminhos mais usados para compensar a falta de abundância ou prazer, relacionados a outras áreas da nossa vida. Criar abundância requer dedicação e para senti-la na área alimentar (que tem a ver com o tal do “sentir-se” cheio), é só abrir a geladeira ou passar em qualquer lanchonete.
É como se o ‘sentir-se cheio depois de comer bastante’ compensasse o vazio criado por algumas outras áreas que estão em carência dentro de nós; e como a área do paladar é a mais fácil de se preencher a necessidade, comemos até acabar.
Observe: a capacidade de obter o prazer e sentir-se livre não é negativo. O negativo da situação tem a ver com a procura desnorteada do prazer através desses alimentos, com o desespero e a angústia de querer preencher aquilo que Naranjo, em Eneagrama, chama de “vazio ôntico”, ou seja, a pessoa nunca consegue e nessa busca desesperada pelo prazer, desconhece a possibilidade de “saborear” outros alimentos mais saudáveis.
Todos sabemos que, na maioria das vezes, comer demais, comer de tudo ou ‘beliscar’ o tempo todo podem provocar graves problemas digestivos. O grande risco é achar que desta forma podemos ser mais felizes. Pelo contrário, podemos ficar presos a gula, rejeitando o sofrimento e a dor que fazem parte da existência humana. Vale a pena refletir e compreender que alguns tipos de sofrimento podem também ser importantes para atingir-se a verdadeira felicidade.
Será possível ter prazer ao se alimentar de maneira saudável?
Claro que sim, desde que seja assimilada a motivação para a busca da alimentação saudável!
Por que esta falta de motivação de cuidar de si? Talvez porque cuidar de si não apresenta resultados imediatos.
Quem trabalha espera ver o resultado todo mês quando recebe seu salário, mas quem toma 8 copos de água por dia não vê nenhum resultado palpável. Então, que diferença faz, não é mesmo?
Ironicamente, como o corpo tem alta capacidade homeostática, demora algum tempo para que você sinta os efeitos de hábitos ruins ou bons. Cria-se então a ilusão de que está tudo igual, ou seja, “eu como qualquer comida e tenho saúde de ferro, nada me faz mal”.
Que tal imaginarmos a conseqüência do nosso hábito imediatamente?
- Que tal se cada vez que fumasse, imaginasse que o seu corpo ficasse com enfisema pulmonar na mesma hora? Você continuaria fumando?
- E se cada vez que comesse bolo de chocolate, o seu corpo engordasse na hora, como se de repente inflasse? Você comeria o bolo? Não seria uma visão interessante estar comendo o bolo e, ao mesmo tempo, ver a sua barriga inchar, a cada pedaço que engolir?
- E se visse, cada vez que tomasse água ou comesse frutas ou vegetais, o seu corpo ficar automaticamente “ligado”, energizado, mais vivo, mais esbelto, como se ele fosse imediatamente se moldando, buscando o seu peso ideal? Se visse o seu corpo reagir assim, você iria querer comer frutas e vegetais e beber mais água com freqüência?
- E se visse imediatamente no seu corpo os efeitos de fazer ginástica? E se visse na hora o que acontece ao seu corpo quando não faz ginástica?
Pois bem, tudo isso acontece, só que em ritmo lento. Então, da próxima vez que ingerir algo, imagine o efeito disso no seu corpo e pense: é essa a minha escolha? Vale a pena?
Se você considerar o que é saudável ou não para o seu corpo, e começar a tomar decisões conscientes, vai conseguir atingir um dos objetivos mais importantes da saúde física: a prevenção!
Daí sim, não correrá riscos de doenças, distúrbios, sedentarismo que serão evitados a partir de nossa conscientização. Pense nisso, seu corpo reage ao que você ingere.
Bom treino!
Andreia Moreno
Educadora Física, Palestrante e Coach Pessoal de Vida (uma
espécie de Personal Trainer Mental e Emocional)
F. (11) 3493.7996 e 9995-5196
www.andreiamoreno.com.br
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