Afinal, o que é viver a vida?  
   
Em toda minha trajetória como atleta sempre escutei a expressão ?viver a vida?. Freqüentemente, as pessoas me diziam que eu era louca por levar a vida com tanta seriedade e precisava ?viver a vida?. Por várias vezes me questionei sobre o verdadeiro sentido dessa expressão.

Percebi que, na realidade, as pessoas se referiam a viver a vida de forma mais relaxada, livre, sem compromissos, sem regras, sem disciplina, muita praia, sol, viagens, bebidas, cigarros, diversão. Enfim, como eles diziam, viver o presente.

Em primeiro lugar, acredito que é necessário perceber e definir o significado dessa expressão para você. As pessoas são diferentes, possuem valores diferentes, histórias de vidas diferentes. Logo, o termo ?viver a vida? tem critérios muito diferenciados para cada um de nós.

Digo isso porque quando era atleta de ginástica aeróbica e fitness, tinha objetivos. Havia estabelecido como meta ser campeã brasileira. Ao tomar essa decisão, já sabia que deveria deixar de fazer certas coisas, de tomar algumas atitudes em prol desse acontecimento. O desejo era tamanho que me arrepio e lembro desse dia como se fosse hoje!

Viver a vida para mim naquele momento era treinar, treinar, treinar... Era superar dificuldades até então consideradas intransponíveis, tornando-as possíveis. Era preferir uma saladinha com frango grelhado a uma saborosa macarronada repleta de queijos e condimentos, com aquele cheirinho encantador aos domingos junto à família. Sabia que a minha escolha, além de mais saudável e menos calórica, me levaria muito mais rápido ao meu objetivo. Falando assim pode parecer brincadeira, mas eu era feliz fazendo isso. Nessa época, realmente vivi minha vida.

Segundo Abílio Diniz em seu livro ?Caminhos e Escolhas?, a palavra disciplina está ligada a regras, formalidade, prisão e, por outro lado, indisciplina relaciona-se a alegria, falta de compromisso, liberdade. Ele alega que, justamente pela indisciplina estar ligada a liberdade, a impressão passada é que viver a vida é não ter regras. Assim, no meu caso, pela visão de algumas pessoas, eu não tinha liberdade, portanto era louca.

Bem, como personal coach - trabalho que auxilia os treinados a estabelecerem e alcançarem seus objetivos - diria que a moral da história é: cada um de nós é único. Temos valores, crenças e objetivos de vida diferentes. Mas se você quer realmente viver a vida, tenha liberdade para escolher, perceba se essa escolha é coerente com seus valores e assuma essas escolhas. Seja feliz hoje, pois a pior coisa que poderá fazer é ficar no meio do caminho, em dúvida, na indecisão. Essa dualidade contribuirá para uma vida mal vivida. Ela leva ao sofrimento e impede você de ser feliz e viver a vida que escolheu. Pense nisso!

 
 

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