Qualidade de Vida - uma nova abordagem  
   
publicado na Revista Sescon nº196 - Agosto 2005

A gente quer ter voz ativa/ No nosso destino mandar/ Mas eis que chega a roda-viva/ E carrega o destino pra lá
Roda Viva - Chico Buarque ? 1968

Não é novidade pra ninguém que a qualidade da vida que levamos é fundamental para atingir bons e melhores resultados no plano pessoal ou no profissional. Até aí, nenhuma novidade. Mas afinal, o que significa a expressão Qualidade de Vida?

Esse tema pode ser abordado por vários ângulos, com diferentes significados e variando conforme a pessoa. Há aqueles que entendem Qualidade de Vida como algo vinculado ao cuidado com a saúde, com o corpo por meio de uma atividade física freqüente e alimentação equilibrada. Outros acreditam que morar num lugar tranqüilo, arborizado, com ar puro, longe dos transtornos do trânsito e da poluição constitui a verdadeira Qualidade de Vida. Alguns preferem ainda dar, por exemplo, um enfoque maior ao lado profissional. Apostam que a conquista da tão sonhada independência financeira é a forma mais segura de atingir uma qualidade de vida melhor, ligada ao lazer e aos prazeres da boa vida. No outro extremo, estão os que acreditam que somente pela busca de uma espiritualidade mais profunda é que se pode almejar uma vida melhor ? e, portanto, a Qualidade de Vida decorre disso.

Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar: cada abordagem carrega um bom pedaço de verdade, ainda mais quando falamos de gente. Afinal, cada qual tem crenças, valores, sonhos e histórias de vidas diferentes dos demais.

Qualidade de vida - como conceituá-la de maneira universal ?

Estudos científicos dividiram a vida do ser humano, de forma didática, em 10 áreas: física, intelectual, emocional, espiritual, familiar, profissional, financeira, lazer, amigos e relacionamento íntimo. É a chamada Roda da Vida. Partindo dessa premissa, podemos observar que tudo o que acontece em nossa vida pode ser enquadrado em pelo menos uma dessas áreas.

Imagine que, desde a infância, fomos criados para ter sucesso em todas essas áreas. Continuando na linha do imaginário, seria como se cada um de nós precisasse obter pelo menos a nota 1 em cada uma dessas áreas para totalizar 10, como ponto mínimo de equilíbrio. Mas como não somos perfeitos, a pergunta que surge é: o que acontece se não conseguimos tirar nota 1 em alguma (ou algumas) dessas áreas?

Se o objetivo é ter sempre, no mínimo, a nota dez como referência de equilíbrio, é natural que cada pessoa busque compensar suas lacunas em alguma área obtendo nota maior nas outras. Por exemplo: se na área emocional eu sou um estressado (nota zero!), posso compensar isso obtendo nota 2 na área intelectual, já que sou inteligente. É claro que essa política de compensações vai variar de pessoa para pessoa.

Pois bem, imagine agora que você não é exatamente um sucesso em mais áreas da sua vida, e só consegue compensar tais lacunas em outras duas ou três. Um exemplo: sua nota é zero na área física (?não cuido de meu corpo?), na emocional (?vivo tendo problemas familiares?), espiritual (?não encontrei meu caminho?), lazer (?não tenho tempo!?), financeira (?vivo endividado?), amigos (?sou tímido!?). Mas por outro lado você se dá bem no profissional (nota 3!), no intelectual (nota 2), família (outra nota 2), relacionamento íntimo (nota 3). Pela lei das compensações, somando todas suas notas você terá tirado 10. Isso significa que você terá equilíbrio? Esse desenho de desempenho (sua Roda da Vida) corresponde ao de quem tem nota 1 em todas as áreas? Afinal, o total é o mesmo: dez.

Aí começamos a perceber que esse raciocínio aritmético não vale para a vida. Pelo contrário: no momento em que você busca esta compensação, gera mais desequilíbrio. Você, portanto, possui um desenho de maior desequilíbrio do que quem possui nota 1 em todas as áreas. E uma pessoa, quanto mais desequilibrada for, mais longe estará de alcançar uma Qualidade de Vida plena.

Essa abordagem pode gerar controvérsias por sua extrema simplicidade, já que, na prática, as coisas não são tão simples assim. A maioria das pessoas não está disposta a abrir mão de seus escapes, deixando pra trás hábitos arraigados para cultivar os novos, em função de um maiorequilíbrio. Em resumo: poucos estão dispostos a equalizar suas notas nas diversas áreas da vida, o que implica em mudanças de hábitos, atitudes e posturas.Neste ponto podemos definir com maior clareza o que é Qualidade de Vida.

Enquanto cada um de nós estiver, mesmo que de forma inconsciente, compensando as lacunas de uma ou mais áreas de nossas vidas em outras esferas, estaremos em constante desequilíbrio e jamais teremos Qualidade de Vida. Uma pessoa desequilibrada pode ter a saúde que for, o dinheiro que for e morar na cidade mais tranqüila que há, mas o desequilíbrio continuará exigindo-lhe, diariamente, um esforço continuado de compensação. E, portanto, sem a tão almejada Qualidade de Vida.

Como mostra o poeta Chico Buarque, ?a gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar... Mas eis que chega a roda-viva e carrega o destino pra lá?.Uma das maneiras de alcançar esse equilíbrio e escapar da Roda Viva é ter um treinador. Você sabe o que é um Coaching Pessoal?

Esse termo, que pode ser traduzido para treinador pessoal, corresponde à figura de um profissional que pode ajudá-lo na meta de obter uma melhor Qualidade de Vida. Seu propósito e função é equilibrar cada ser humano de acordo com seus objetivos, metas e valores baseando-se no conceito de Roda da Vida, conforme explicamos acima.

O Coach (treinador) vai avaliar e mostrar de maneira realista a seu cliente o que ele tem feito de sua vida, e de que forma suas ações o vêm atrapalhando e impedindo de atingir seus resultados. A partir desse diagnóstico, ele passará a treinar cada emoção, cada comportamento.

Estamos falando, por exemplo, de conceitos vitais como disciplina, foco, determinação, auto-confiança, perseverança, tranqüilidade, amorosidade e muitos outros. Com essa ação, o treinado passa a ser capaz não só de abandonar antigos hábitos, como também de estruturar novos, qualificando-se a atingir diferentes e excelentes resultados. Ele aprende a lidar com as adversidades no momento mesmo em que elas acontecem, usando a todo momento a inteligência de suas emoções e, principalmente, sabendo melhor o que se quer e onde se quer chegar.

No relacionamento com o cliente, o Coach sempre o observa de fora, como se ele fosse um atleta ou jogador. Essa comparação tem um significado: quando o jogador está treinando ou jogando, ele se concentra fixamente no que está fazendo, e não percebe pequenos e importantes detalhes que estão em seu entorno. Por meio das ferramentas e experiências de sua formação profissional, o Coach observa o treinado e mostra de maneira objetiva, positiva, comprometida e, principalmente, confidencial o que o prejudica e o que o fortalece.

Não será exagero afirmar que o ser humano de sucesso no século XXI será aquele que possuir condições emocionais para lidar com o equilíbrio de todas as áreas de sua vida, e só desta forma se aproximará da verdadeira Qualidade de Vida.

 
 

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