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Quem acredita sempre alcança ...
"Quando penso em tudo isso e vejo em minha parede as medalhas, os
troféus, os certificados, só posso concluir que fui campeã
todos os dias !. E que a experiência vivenciada nesta trajetória
só serviu para me ensinar que ser dedicada, comprometida, perseverante,
disciplinada, focada e confiante, valeu muito a pena na escola da minha
vida!"
"Quem acredita sempre alcança". Segundo
palavras de Renato Russo -em minha opinião, um ótimo compositor-
"quem acredita, sempre alcança". Confesso que quando
escuto essa música, até me arrepio, pela verdade que transmite.
Em oito anos de trajetória como atleta, se não tivesse acreditado,
jamais teria alcançado.
Há cerca de 13 anos, num momento em que a ginástica
aeróbica virava febre no Brasil, foi criado um campeonato nacional,
chamado "Aeróbica de Competição". Eu, como
aluna assídua, que freqüentava academias e adorava me exercitar,
passei a acompanhar pela TV e também a assistir às etapas
e campeonatos em São Paulo. De repente, de um estalo, nasceu uma
vontade e decidi: "vou competir".
Os campeonatos eram divididos nas categorias: individual feminino, individual
masculino, duplas e trios. A que escolhi foi a categoria individual, na
qual o número de competidoras chegava a 30.
Com a certeza absoluta de que minhas habilidades e capacidades
motoras, como força, flexibilidade, agilidade e graça, eram
quase nulas, contratei uma coreógrafa que havia acabado de ganhar
o campeonato brasileiro. Foi ela quem me preparou e lá fui eu encarar
o desafio, levando no meu peito somente a vontade, a garra, a paixão
e a determinação de realizar aquele sonho, até então:
participar!
O resultado foi fantástico. Em meio a 30 atletas,
minha colocação foi 3ºlugar no Campeonato Paulista
e 5ºlugar no Campeonato Brasileiro. "Meu Deus!!!", pensei
eu. "Se sem treinar tanto, consegui esta colocação,
significa que me preparando melhor, tendo foco e comprometimento posso
me dar bem", conclui. E foi a partir daí, de 1992, que estabeleci
como meta: "Vou ser campeã brasileira!"
Ao lado de profissionais capacitados, treinava aproximadamente
seis horas por dia. Na época, conciliava aulas na faculdade de
educação física e estágios em grandes academias
de fitness, para poder pagar de alguma forma pelo treinamento. Também
passei a me alimentar de forma equilibrada, com carne branca, muitas verduras,
legumes e saladas, evitando doces, gorduras e frituras. Com muita disciplina,
voltei no ano seguinte ao Campeonato Brasileiro e conquistei o 4º
lugar.
Treinei o ano todo, me superei, melhorei minhas habilidades
e evolui um degrau. Este foi o meu consolo para continuar no ano seguinte.
E assim foi: passei a treinar mais, melhorei meu desempenho, passei a
comer menos... A transformação em meu corpo era notável.
Voltei no ano seguinte, em 1994 e desta vez conquistei o 3º lugar.
Nesse ano, muitos me incentivaram a desistir. Diziam que
era muita dedicação, muito sofrimento para pouco retorno.
Confesso que até mesmo eu parei para pensar se continuaria... No
entanto, lá estava eu no ano seguinte, conquistando o 2º lugar.
A partir daí, a motivação aumentou
e muito, pois, ao que tudo indicava, a concretização de
meu sonho e da minha meta, estava prestes a acontecer. Mudei a estratégia,
o estilo das coreografias, mudei de técnicos para entrar com um
perfil mais feminino.
Mas... A dois dias do tão esperado momento, meu técnico
me pediu que fosse a academia treinar sem me cansar muito, para que eu
estivesse preparada para nossa viagem ao Rio de Janeiro, onde aconteceria
(para mim) e aconteceu a etapa do campeonato. Neste "treininho",
sem me cansar muito, passei uma única vez a coreografia. E num
magnífico salto que fazia, acabei caindo e torcendo o joelho.
Imediatamente, coloquei gelo e corri para o médico,
que me disse que eu havia rompido o ligamento cruzado anterior do meu
joelho e que para me recuperar, seria preciso tempo ou uma cirurgia. Acabava
ali o meu sonho. Imagine como fiquei... Paralisada, sem entender por que
aquilo tinha acontecido. E assim fiquei durante duas semanas, deitada
na cama, olhando para o teto e chorando, chorando...
Depois destas duas semanas, ainda usando muletas e em tratamento,
pude pensar que fracassei, que fui derrotada pelo meu próprio corpo.
Não havia mais nada a fazer. Percebi que, como profissional da
área de educação física, dependia do meu corpo
para viver e já que como atleta não daria mais, pelo menos
continuaria a me dedicar na área educacional. Foi aí que
toda aquela energia e vontade foi transferida para meu lado profissional,
e passei a atuar como professora, personal trainer, coordenadora de academias,
treinadora de professores, enfim, um outro lado brilhante da minha carreira,
que em outro momento posso também contar.
O fato é que três anos depois do acidente,
com o joelho já recuperado, fui procurada por uma atleta iniciante,
que desejava competir. Na elaboração da coreografia dela,
percebi que minhas habilidades ainda estavam intactas. Foi incrível:
eu ainda chutava, saltava, fazia as flexões de braços, os
esquadros... Fiquei meio extasiada, pois desde que me machucara, não
havia tentado novamente fazer os movimentos difíceis que por anos
fizeram parte da minha rotina.
E foi assim, com o apoio de amigos, da família,
e ainda na esperança de concretizar aquele antigo sonho que segui
em frente. Desta vez, não precisei mais de técnicos, nem
de coreógrafos, pois já tinha adquirido conhecimento específico
durante todos aqueles anos. Durante dois meses, me preparei e finalmente
conquistei o tão sonhado 1º lugar. Realizei meu sonho e conquistei
o título de Campeã Brasileira de Fitness.
Cheguei a viajar para o exterior. Competi no Japão,
na Itália, no México, na Austrália, sempre conquistando
boas colocações. Mas a verdade é que me considerava
satisfeita e resolvi então encerrar esta fase de minha vida e progredir;
partir para outros e novos desafios!!!
Vejam só: minha meta foi alcançada em oito
anos. Primeiramente o 5º lugar no brasileiro, depois o 4º, depois
o 3º, depois 2º... Afastada por três anos, e no último,
o sonho se realizou.
Hoje, quando penso em tudo isso e vejo em minha parede
as medalhas, os troféus, os certificados, só posso concluir
que fui campeã todos os dias! E que a experiência vivenciada
nesta trajetória só serviu para me ensinar que ser dedicada,
comprometida, perseverante, disciplinada, focada e confiante, valeu muito
a pena na escola da minha vida! Agradeço a Deus por ter me colocado
neste caminho, pois passei a aplicar tudo o que aprendi com esta experiência
no que fiz dali para frente. E se eu, esta pobre mortal, consegui, VOCÊ
TAMBÉM CONSEGUE! Basta acreditar !!!
Andreia Moreno é
ex-atleta, educadora e diretora da Yourself Desenvolvimento de Pessoas
- www.andreiamoreno.com.br
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